quarta-feira, 28 de março de 2012

Quem me roubou de mim?



É muito simples a pergunta do título.
http://www.filhodoceu.com
Alguma vez na vida você já sentiu que você foi roubado? Mas não um anel, uma camisa, não, não é a sua carteira, nem o celular, não. É aquela sensação de que você estava ausente de você mesmo, aquela sensação de vazio quando depois de um relacionamento que terminou, você tem a sensação de que aquela pessoa levou boa parte de você embora. Quando alguém morreu e você tem aquela sensação de que o outro levou você embora. Você também já pode ter experimentado na vida, ver o seu filho nas drogas, por exemplo, seu filho já não é mais dono da vida dele porque se ele fosse, ele pararia com o vício naquele momento que ele decidisse, não é verdade?

Quantas pessoas alcóolatras, quantas pessoas viciadas em drogas, maconha, cocaína, craque...não são donas mais das sua vontades porque a droga seqüestrou aquilo que elas têm de mais precioso que é o direito de decidir o destino da própria vida. Esse livro trabalha isso, minha gente, muitas relações humanas são roubos, não roubam o nosso corpo, roubam a nossa alma. Todo processo do diabólico no mundo – diábolos do grego – já diz isso aqui, é tudo aquilo que quebra, tudo aquilo que separa que desune e todo processo do diabólico no mundo, está justamente pra nos roubar, ao contrário do simbólico que nos devolve, que nos congrega.

Nós estávamos falando aqui do jantar, o jantar é uma realidade simbólica, você já parou pra pensar quando você come, por exemplo, o alimento que você está comendo está lhe devolvendo aquilo que seu organismo perdeu no momento que ele trabalhou...as vitaminas, os sais minerais, o ferro, as proteínas, por isso que nós precisamos comer de maneira saudável, o alimento nos devolve a vitalidade, pois bem, existem realidades humanas que têm o poder de nos devolver a nós mesmos também, quando a gente teve aquela sensação de que a gente foi roubado lá no fundo da alma, assim como o alimento tem o poder de nos devolver a vitalidade do corpo, nós temos muitas formas de buscar a devolução daquilo que nos foi roubado ao longo da vida.

Nós acreditamos numa religião assim, que tenha o poder pela palavra de Deus, pelo poder da oração, pelo poder da reflexão devolver as pessoas à elas mesmas no momento em que elas percebem que foram roubadas. E nós somos roubados mesmo, a capa já ta dizendo tudo – é um rapaz retirando a máscara, é ele voltando a ser ele mesmo – muitas vezes nos relacionamentos que nós assumimos, a gente acaba se transformando no que o outro quer que a gente seja, muitas vezes em nome do amor nós colocamos máscaras nas pessoas, nós não permitimos que elas sejam elas mesmas e isso é gravíssimo, nós sofremos muito nos momentos em que nós não somos nós mesmos porque é muito triste você não ter liberdade para agir.

Medo, por exemplo, aqui a gente trata disso. Quando a gente sente medo, nós estamos privados de sermos nós mesmos. Falo daqueles medos que são fobias, né porque o medo é natural, ele nos alerta para o perigo, mas por exemplo, aquela pessoa que tem medo de amar de novo só porque ela foi traída no passado, aquele traidor na verdade, ele teve o poder de seqüestrar a sua capacidade de que ela poderia ser amada. Então nós precisamos buscar as suas devoluções, nós não podemos viver ausentes de nós mesmos, se não outras pessoas vão tomar conta da nossa vida e nós não queremos isso, não. O Evangelho é sempre uma proposta de retomada da própria vida, é como diz o Eto, "administrar a própria vida é o negócio mais urgente".

Padre Fábio de Melo.

Do Filho do céu.

sábado, 24 de março de 2012

Amar

Amar,

Amar muito,

Amar todas as horas,

Amar sempre, sempre,

Amar a vida,

Porque amar é viver,

Gosto da vida,

Vivo de amar.

Amar tudo que acontece,

No meio dos sofrimentos,

No meio das alegrias,

No meio das esperanças,

Entre a terra e o céu,

Gosto das flores,

Da brisa, da luz,

Das crianças,

Gosto do verdadeiro amor.

Um forte Ágape!


Linda mensagem que o Padre Marcelo Rossi me mandou e agora compartilho com cada um de vocês.

Que Deus abençoe a todos!

sexta-feira, 23 de março de 2012

Desistir é muito fácil


http://vozesdeprofetas.blogspot.com
Desistir, eis a escolha de milhares ao se depararem com as primeiras dificuldades do caminho. É bestificante como as pessoas desistem das coisas de Deus por conta dos problemas enfrentados. (Lc8,13) A maioria pergunta ao Senhor por que os seus servos têm que passar por tantos obstáculos. Esquecem-se de que o ouro é provado e moldado no fogo. (1Pd 1,7;  Tg 1,12) Cair faz parte da caminhada, não prosseguir é abrir de algo muito maior.

Não é possível que tudo dê certo ou errado em nossa vida. Por isso, é necessário ter paciência e perseverar para que a vitória nos seja concedida. Todos nós somos provados todos os dias e a todo momento, porque a vida é cheia de etapas que precisam ser encaradas. (Hb 11)

Lembre-se: Deus provou o povo hebreu por 40 anos no deserto e, em seguida, deu-lhes a terra prometida. (Dt 2,7;  Hb 3,8;  Sl 78,52;  Dt 8,1-20) Você que acaba de sair da escravidão do pecado e ainda está no deserto, não murmure. Antes agradeça por ter sido liberto e confie que a sua terra prometida vai chegar. O senhor sempre cumpre as suas promessas. (Js 23,14)

Do Absoluto e Relativo.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Eucaristia e Igreja


Eucaristia, princípio causal da Igreja

14. Através do sacramento eucarístico, Jesus compromete os fiéis na sua própria « hora »; mostra-nos assim a ligação que quis entre Ele mesmo e nós, entre a sua pessoa e a Igreja. De facto, o próprio Cristo, no sacrifício da cruz, gerou a Igreja como sua esposa e seu corpo. Os Padres da Igreja meditaram longamente sobre a semelhança que há entre a origem de Eva do lado de Adão adormecido (Gn 2, 21-23) e a da nova Eva, a Igreja, do lado aberto de Cristo mergulhado no sono da morte: do seu lado trespassado — narra João — saiu sangue e água (Jo 19, 34), símbolo dos sacramentos.(30) Um olhar contemplativo para « Aquele que trespassaram » (Jo 19, 37) leva-nos a considerar a ligação causal entre o sacrifício de Cristo, a Eucaristia e a Igreja. Com efeito, esta « vive da Eucaristia ».(31) Uma vez que nela se torna presente o sacrifício redentor de Cristo, temos de reconhecer antes de mais que « existe um influxo causal da Eucaristia nas próprias origens da Igreja ».(32) A Eucaristia é Cristo que Se dá a nós, edificando-nos continuamente como seu corpo. Portanto, na sugestiva circularidade entre a Eucaristia que edifica a Igreja e a própria Igreja que faz a Eucaristia,(33) a causalidade primária está expressa na primeira fórmula: a Igreja pode celebrar e adorar o mistério de Cristo presente na Eucaristia, precisamente porque o próprio Cristo Se deu primeiro a ela no sacrifício da Cruz. A possibilidade que a Igreja tem de « fazer » a Eucaristia está radicada totalmente na doação que Jesus lhe fez de Si mesmo. Também este aspecto nos persuade de quão verdadeira seja a frase de São João: « Ele amou-nos primeiro » (1 Jo 4, 19). Deste modo, também nós confessamos, em cada celebração, o primado do dom de Cristo; o influxo causal da Eucaristia, que está na origem da Igreja, revela em última análise a precedência não só cronológica mas também ontológica do amor de Jesus relativamente ao nosso: será, por toda a eternidade, Aquele que nos ama primeiro.

Eucaristia e comunhão eclesial

15. A Eucaristia é, pois, constitutiva do ser e do agir da Igreja. Por isso, a antiguidade cristã designava com as mesmas palavras — corpus Christi — o corpo nascido da Virgem Maria, o corpo eucarístico e o corpo eclesial de Cristo.(34) Bem atestado na tradição, este dado faz crescer em nós a consciência da indissolubilidade entre Cristo e a Igreja. Oferecendo-Se a Si mesmo em sacrifício por nós, o Senhor Jesus preanunciou de modo eficaz no seu dom o mistério da Igreja. É significativo o modo como a Oração Eucarística II, ao invocar o Paráclito, formula a prece pela unidade da Igreja: « ... participando no corpo e sangue de Cristo, sejamos reunidos, pelo Espírito Santo, num só corpo ». Esta passagem ajuda a compreender como a eficácia (res) do sacramento eucarístico seja a unidade dos fiéis na comunhão eclesial. Assim, a Eucaristia aparece na raiz da Igreja como mistério de comunhão.(35)

O servo de Deus João Paulo II, na sua Encíclica Ecclesia de Eucharistia, tinha já chamado a atenção para a relação entre Eucaristia e communio: falou do memorial de Cristo como sendo a « suprema manifestação sacramental da comunhão na Igreja ».(36) A unidade da comunhão eclesial revela-se, concretamente, nas comunidades cristãs e renova-se no acto eucarístico que as une e diferencia em Igrejas particulares, « in quibus et ex quibus una et unica Ecclesia catholica exsistit – nas quais e pelas quais existe a Igreja Católica, una e única ».(37) É precisamente a realidade da única Eucaristia celebrada em cada diocese ao redor do respectivo Bispo que nos faz compreender como as próprias Igrejas particulares subsistam in e ex Ecclesia. De facto, « a unicidade e indivisibilidade do corpo eucarístico do Senhor implicam a unicidade do seu corpo místico, que é a Igreja una e indivisível. Do centro eucarístico surge a necessária abertura de cada comunidade celebrante, de cada Igreja particular: ao deixar-se atrair pelos braços abertos do Senhor, consegue-se a inserção no seu corpo, único e indiviso ».(38) Por este motivo, na celebração da Eucaristia, cada fiel encontra-se na sua Igreja, isto é, na Igreja de Cristo. Nesta perspectiva eucarística, adequadamente entendida, a comunhão eclesial revela-se realidade católica por sua natureza.(39) O facto de sublinhar esta raiz eucarística da comunhão eclesial pode contribuir eficazmente também para o diálogo ecuménico com as Igrejas e com as Comunidades eclesiais que não estão em plena comunhão com a Sé de Pedro. Na realidade, a Eucaristia estabelece objectivamente um forte vínculo de unidade entre a Igreja Católica e as Igrejas Ortodoxas, que conservaram genuína e integralmente a natureza do mistério da Eucaristia. Ao mesmo tempo, a relevância dada ao carácter eclesial da Eucaristia pode tornar-se elemento privilegiado também no diálogo com as Comunidades nascidas da Reforma.(40)

EXORTAÇÃO APOSTÓLICA PÓS-SINODAL - SACRAMENTUM CARITATIS, DO PAPA BENTO XVI.

Para entender melhor: 

30. Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 3. Veja-se, por exemplo, São João Crisóstomo, Catequeses 3, 13-19: SC 50, 174-177.

31. João Paulo II, Carta enc. Ecclesia de Eucharistia (17 de Abril de 2003), 1: AAS 95 (2003), 433.

32. Ibid., 21: o.c., 447.

33. Cf. João Paulo II, Carta enc. Redemptor hominis (4 de Março de 1979), 20: AAS 71 (1979), 309-316; Carta enc. Dominicæ Cenæ (24 de Fevereiro de 1980), 4: AAS 72 (1980), 119-121.

34. Cf. Propositio 5.

35. Cf. São Tomás de Aquino, Summa Theologiæ, III, q. 80, a. 4.

36. N. 38: AAS 95 (2003), 458.

37. Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 23.

38. Congr. para a Doutrina da Fé, Carta sobre alguns aspectos da Igreja entendida como comunhão Communionis notio (28 de Maio de 1992), 11: AAS 85 (1993), 844-845.

39. Propositio 5: « O termo ‘‘católico'' exprime a universalidade resultante da unidade que a Eucaristia, celebrada em cada Igreja, fomenta e constrói. Assim, as Igrejas particulares na Igreja universal têm, na Eucaristia, a missão de tornar visível a sua própria unidade e a sua diversidade. Este laço de amor fraterno deixa transparecer a comunhão trinitária. Os concílios e os sínodos exprimem na história este aspecto fraterno da Igreja ».

40. Cf. Ibid., 5.