quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Mt 18: O projeto da Igreja sonhada por Deus


http://tilz.tearfund.org

O capítulo 18 de Mateus tem merecido ultimamente grande destaque por parte dos exegetas, que em geral, o classificam como o discurso eclesiástico de Jesus. Efetivamente, Mateus é o único evangelista que fala de “Igreja” (cf. Mt. 16, 18; 18, 17). Alguns estudiosos descobriram neste capítulo as sete dimensões essenciais da Igreja sonhada pelo próprio Jesus. “Para os leitores que lutam com problemas da Igreja, hoje, este pode ser o mais útil discurso de Jesus… A legislação que, no correr dos séculos, a Igreja assumiria para organizar-se no mundo, encontro neste capítulo seu sólido e puríssimo núcleo imaginário” (Raymond E. Brown).

Procurarei apenas apontar as ditas dimensões, sem me estender nos comentários.

1. A conversão radical: “Em verdade, Eu vos digo que, se não vos converterdes e vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no Reino dos Céus” (Mt. 18, 3).

Na realidade, “se alguém está em Cristo, é uma nova criatura” (2Cor 5, 17).

2. A remoção dos escândalos: “Ai do mundo por causa dos escândalos! É necessário que haja escândalos, mas ai do homem pelo qual o escândalo vem” (Mt 18, 7). O escândalo é a tentativa satânica de destruir a obra de Cristo.

3. A dimensão missionária: a Igreja de Jesus é essencialmente missionária, e isto ao ponto de o pastor ser capaz de deixar noventa e nove ovelhas nos montes e ir ao encontro de uma única ovelha extraviada: “E se consegue achá-la, em verdade vos digo, terá maior alegria com ela do que com as noventa e nove que não se extraviaram… Porque não é da vontade do Pai, que está nos céus, que um desses pequeninos se perca” (Mt 18, 12 -14).

4. A correção fraterna: esta é descrita em Mt 18, 15-17 com uma precisão de fórmulas de tipo jurídico, que retrata com certeza a prática da comunidade primitiva. “Se o teu irmão pecar, vai corrigi-lo a sós. Se ele te ouvir ganhaste o teu irmão. Se não te ouvir, porém, toma contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda questão seja decidida pela palavra de duas ou três testemunhas. Caso não lher der ouvido, dize-o à Igreja. Se nem mesmo à Igreja der ouvido, trata-o como o gentio ou o publicano”.

5. A hierarquia: “Tudo quanto ligardes na terra será ligado no céu e tudo quanto desligardes na terra será desligado no céu” (Mt 18, 18). O poder das chaves, conferido a Pedro em Mt 16, 19, é conferido agora ao colégio apostólico como um todo.

6. A oração em comum: Os versículos 19-20 constituem o cerne não somente do discurso eclesiástico, como de todo o Evangelho de Mateus. Quando Jesus afirma que “onde dois ou três estiverem reunidos, em meu nome, ali estou eu no meio deles”, está realmente definindo a Igreja que deseja edificar. Esta, consequentemente, não depende do número de seus membros. Basta a comunidade mínima (dois ou três), desde que esteja reunida em seu nome e com Ele no meio.

7. A dimensão do perdão: Por ser comunidade, a Igreja é um contínuo encontro de pessoas, com seus temperamento, seus problemas, seus defeitos. Sempre haverá atritos, desencontros, ofensas. Nesse quadro realista nasce o problema de Pedro: “Senhor, quantas vezes devo perdoas ao irmão que pecar contra mim? Até sete vezes?” A resposta de Jesus foi incisiva: “Não te digo até sete, mas até setenta vezes sete” (Mt 18, 21-22)! O perdão é a grande prova do amor; se ele vier a faltar, faltará também o amor. E onde falta o amor, Deus aí não está. Então, não haverá Igreja.
Frei Geraldo de Araújo Lima, O.Carm.
membro da Comissão Arquidiocesana de Pastoral
para a Doutrina da Fé

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

FÉ É VIDA


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Separar fé e vida, está aí um grande equívoco cometido pela maioria dos cristãos. Ser cristão exige de nós a vivência diária da vontade de Deus. Portanto, não há como se dedicar ao Senhor dentro da Igreja e fora dela fazer o que quiser. Questões como votar, cuidar do meio ambiente, tratar bem as pessoas e outras, acabam sendo tratadas pela maioria dos cristãos como algo separado da religião. Afinal, servir a Cristo se restringe a orar, dar esmola e ir para um templo? É claro que não!
Temos que ser discípulos de Jesus em tempo integral e em todos os lugares onde estivermos. Não é só ir à Igreja, fazer minhas orações e ler a Bíblia e pronto. Se faz necessário a prática da vontade de Deus. E fazer o que o Senhor quer também é ser um cidadão. Ou seja, gozar dos seus direitos e deveres. Por isso, ser cristão também é não jogar lixo nas ruas, procurar votar consciente, não desperdiçar água nem energia elétrica, ceder o assento do ônibus ao idoso, ajudar nas tarefas domésticas (lavar pratos, varrer casa, etc), ajudar o irmão na escola ou faculdade, respeitar as filas, entre outras coisas.
É bom lembrar que a implantação do Reino de Deus não vai se dar apenas pelas orações, mas também pela prática do bem. Jesus não viveu somente de palavras. Ele sempre fazia algo concreto e só depois que pregava. “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.”, (Mt 7,21)  já nos advertia Jesus.
LEIA: Tg 2

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Nós Precisamos do Espírito Santo!


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"O Espírito Santo vos inspirará naquela hora o que deveis dizer"(Lc 12,12)! Somente Deus "sonda o abismo do coração humano, e penetra os seus pensamentos mais sutis" (Sr 42,18). Ele sabe o que chegará ao nosso coração e  o que não chegará. Já, conosco, obviamente, isso não acontece, pois não conseguimos "ver" o interior das pessoas. Nós, cristãos, fomos feitos "pescadores de homens" (Mt 4,19), e, como todos os pescadores, geralmente só vemos a superfície da água, mas não o peixe, na profundidade. Dessa mesma forma, nós só conseguimos ver o exterior das pessoas. O interior delas somente o Senhor pode ver (1Sm 16,7). Nós, cristãos, se quisermos conhecer o interior das pessoas, precisamos de uma ajuda especial.

Quando Jesus nos chamou para sermos pescadores de homens, Ele nos enviou o Espírito Santo para nos ensinar como fazê-lo. O Espírito Santo, portanto, é a ajuda especial de que precisamos. Ele nos ensina, a cada momento, o que devemos dizer (Lc 12,12), para que as pessoas sejam tocadas. Se tentarmos utilizar nossas próprias palavras, mesmo que sejam eloquentes, de pouca valia elas serão. Somente as palavras que o Espírito Santo nos inspira a dizer conseguem atingir os corações das pessoas, e as fazem abrirem-se a Ele.

Jesus, ao operar através do Espírito Santo, nos dá uma palavra cheia de sabedoria, à qual não podem resistir nem contradizer os nossos adversários (Lc 21,15). Por isso, sempre e a todo momento, pecamos pelo Espírito Santo. Ele é o Comunicador Maior que pode nos ensinar tudo o que devemos falar. É uma graça que devemos valorizar muito. E, "se vivemos pelo Espírito, andemos também de acordo com o Espírito" (Gl 5,25). Ó, vinde Divino Espírito Santo!
Oração: Divino Espírito Santo, colocai em minha mente tudo o queVós desejais que eu fale, e retirai de minha mente tudo o que eu não devo falar. Ensinai-me "o que devo dizer e o que devo ensinar" (Jo 12,49).


Fonte: Um Pão, Um Corpo - nº 63

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

A santidade é feita de instante


 http://armaduracristo.blogspot.com.br

I Carta de São Paulo ao Timóteo capitulo 4, versículo 12 ao 16. "Ninguém te despreze por seres jovem. Ao contrário, torna-te modelo para os fiéis, no modo de falar e de viver, na caridade, na fé, na castidade. Enquanto eu não chegar, aplica-te à leitura, à exortação, ao ensino. Não negligencies o carisma que está em ti e que te foi dado por profecia, quando a assembléia dos anciãos te impôs as mãos. Põe nisto toda a diligência e empenho, de tal modo que se torne manifesto a todos o teu aproveitamento. Olha por ti e pela instrução dos outros. E persevera nestas coisas. Se isto fizeres, salvar-te-ás a ti mesmo e aos que te ouvirem."
Vamos hoje meditar sobre a ação de do Espírito em nós que nos convida a ser santo. Santidade muitas vezes foi compreendida como algo longe, às vezes pensamos que nosso jeito de viver não nos levará a santidade, porque você está ancorado nos santos antigos que tem suas imagens. Muitas vezes ligamos a santidade ao sofrimento.
Santificar é você descobrir que o projeto de santidade, é o Espírito Santo que move as diferentes pessoas nos diferentes tempos e faz uma obra maravilhosa. Os santos que estarão nos andores nas nossas Igrejas no futuro estão aqui no rincão, estão em casa. Você já imaginou sua imagem? Quais as reais possibilidades do Espírito Santo gerar em você um testemunho fiel? Santidade é isso, é testemunho, é processo de transformação do coração do homem para ser semelhante a Jesus.

http://jovemdoevangelho.blogspot.com.br


Os santos de calça jeans, os santos da modernidade estão para nascer depende de nós, depende do nosso coração, precisamos ser santos com computador, e com bateria. A santidade é feita de instante, é feito do agora, se em você neste momento não tem atitude pecaminosa, você está em um momento de santidade. Mas você precisa está atenta ao seu coração, vigiar sobre si mesmo para não sair desta graça. Não negligencie a felicidade que Deus te concede, e felicidade é santidade, não estou falando desta felicidade passageira.
A nossa visão está projetada para fora, muitas vezes para o outro, para o que o outro pensa de nós, e não lembramos o que Deus pensa de nós. O que você vive hoje é santidade? São Paulo fala a Timóteo, Timóteo cuidado com seu jeito de viver, de agir, de sentir. Digo a você vigie, cuide-se! Quantas vezes você não é feliz por causa do outro? E quantas vezes somos empecilhos para felicidade do outro porque faltou vigilância. Precisamos nos cuidar para não nos tornarmos pessoas insuportáveis. Santidade é concreto, é do jeito que nos tratamos quando acaba a pregação, quando estamos na fila. É muito fácil nos fechar o sofrimento e nos indispor na transformação que Deus quer fazer conosco, deixa de se enjoado, seja santo, os altares já estão pronto só falta os santos.


Pregação Pe. Fábio de Melo, no dia 10 de Maio 2008 – Acampamento de Pentecostes CN
Transcrição: Elcka Torres